Por Bolívar Torres
Comprometimento, paixão e parceria. E um pouquinho de loucura também. Só assim seria possível tornar realidade o sonho quase impossível do diretor Matheus Souza: realizar, aos 20 anos, um longa-metragem dentro da universidade onde ainda estuda. Orçado em míseros R$ 7 mil – custo irrisório mesmo comparado às atuais produções brasileiras de baixo orçamento – e filmado com equipamentos emprestados pela faculdade durante duas semanas, Apenas o fim, que estreia na próximo dia 12 depois de muita badalação e o prêmio do público e menção honrosa do júri oficial no Festival do Rio do ano passado, é o que poderíamos chamar de uma ação entre amigos. Todos que participaram da equipe eram conhecidos, cruzavam-se diariamente nos corredores e saguões da PUC-Rio. Inclusive Érika Mader e Gregório Duvivier, a dupla de protagonistas.
Nem eu acreditava que ia dar certo. Mesmo assim, mentia para as pessoas, dizia que íamos conseguir, que iam simpatizar com o filme, o que acabou acontecendo – lembra Souza. – É um filme de guerrilha. Todos se comprometeram a acordar cedo e trabalhar duro durante as férias, sem ganhar nada, e foi por isso que saiu tão barato. O formato deu certo porque tornou o filme é sincero e simpático, na medida em que dá para sentir que as pessoas queriam estar ali, participar desta experiência.
No último Festival do Rio, a história de Apenas o fim, que traça um retrato da geração crescida nos anos 90 bombardeada por influências da cultura pop através das indecisões amorosas de um jovem casal, ganhou realmente a simpatia do público. Tanto que conquistou o prêmio do Júri Popular entre os filmes em competição. Além do apoio da produtora Mariza Leão, de Meu nome não é Johnny, que resolveu comprar o longa.
Ensaio e improviso
Não havia outra locação possível para encenar os longos diálogos do casal do que os espaços arborizados da PUC. A equipe sondou cada canto para encontrar possíveis cenários. Os atores Érika Mader e Gregório Duvivier, que já conheciam Souza do curso de teatro Tablado, mergulharam em ensaios para compor os personagens, mas sem deixar a improvisação de lado.
Passamos o texto várias vezes, houve diversas leituras – diz Duvivier. – Como todo mundo se conhecia, o clima de filmagem era ótimo e rolavam muitas brincadeiras. De vez em quando, inventávamos coisas na hora que acabavam entrando. A Érika é ótima no improviso. Há cenas que saíram, na hora, da criatividade dela.
A sobrinha de Malu Mader, que já trabalhara com Duvivier em 2007 no longa Podecrer!, devolve o elogio.
O Gregório é o rei do improviso. Você já assistiu a Z.É? – indaga a atriz, referindo-se ao espetáculo de improvisação do qual participa seu colega. – Ele te leva para o improviso e se você não embarca junto está perdido. Este filme me fez crescer como atriz. Aprendi muito, principalmente pelo volume de texto. Nunca tinha feito um filme com tantos diálogos. É o tipo de trabalho que gosto de fazer, com uma galera ousada e que, apesar da pouca experiência, não tem medo de errar.
A maior dificuldade para equipe e atores aconteceu durante os longos planos-sequências. Foi preciso muito ensaio para conferir se os diálogos iriam encaixar no tempo certo. Além do prazo curto de 15 dias para finalizar as filmagens, o trabalho começava cedo, já que era imprescindível devolver, às 17h em ponto, a câmera HD (alta definição) emprestada pelo Departamento de Comunicação Social da faculdade.
Foram precisos mais de 30 takes para um plano-sequência de 7 minutos em que eu e a Érika caminhamos do Solar até o Pilotis – conta Duvivier. – Às vezes, estava tudo perfeito, mas aí, na última hora, uma pessoa passava sorrindo no meio da cena. Em outra, um mico jogava um toco na minha cabeça. E teve uma vez que uma mulher, ao ver que ia ser filmada, passou gritando “Olha, eu vou passar, hein?”.
Focando nos relacionamentos entre os jovens e na questão do amor, Souza se espelhou em alguns dos seus diretores favoritos, como Richard Linklater e Domingos Oliveira. Este último acabou apadrinhando o jovem cineasta depois de ver o filme. Souza, que estrelou a peça Apocalipse segundo Domingos Oliveira, está dirigindo para o veterano a nova versão de Confissões de adolescente.
É meu diretor brasileiro favorito – desmancha-se Souza. – No auge do Cinema Novo, fazia um filme como Todas as mulheres do mundo. Ele acabou se tornando um pai para mim. Me dá conselhos profissionais e até amorosos.
Fonte: JB Online
PLUS¹: O filme estréia dia 12 de junho em cinemas no RJ, SP e DF. Sendo que nessa sexta-feira (05/06), haverá uma pré-estréia no Rio de Janeiro, na Maratona Odeon (exibição de três filmes madrugada a dentro com direito a café da manhã no final) que nesse mês irá integrar a programação do Viradão Carioca. A programação será:
23h20 – Tinha que ser você
2h - Apenas o fim
4h10 - A onda
O ingresso custa R$ 20 (inteira) / R$ 10 (meia-entrada) e está à venda a partir de hoje na bilheteria do cinema (Praça Marechal Floriano – Cinelândia. Tel.: 2240-1093).
PLUS²: Visite o blog do Tom, protagonista de Apenas o Fim, participe da promoção “12 de junho” visitando o site oficial clicando AQUI.





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Esse é um filme que eu quero MUITO ver! Só de olhar os cartazes espalhados pelo Rio já dá vontade…
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Será q chega em Minasss?
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