
Marcelo Adnet é o convidado de Sarah Oliveira no Viva Voz desta quarta, dia 7-9 às 23h no canal GNT.
No programa “Viva Voz”, Sarah Oliveira revela perfis e histórias de convidados famosos. A cada semana, Sarah conversa com uma personalidade a partir das impressões que anônimos têm dela. A equipe do programa vai a lugares públicos – como lojas, feiras, restaurantes, bares, etc – para saber qual é a imagem que as pessoas têm dos artistas. E é com esses depoimentos que a apresentadora vai ao encontro do seu convidado. O programa tem 15 minutos de duração.
Veja a chamada para o programa que será exibido amanhã com Marcelo Adnet:
E uma prévia da entrevista:

"Mó feliz q hj tem @marceloadnet0 no #VivaVoz (23h no @canalgnt). Ilustrada, Folha de Sp" (@OliveiraSarah)

O humorista Marcelo Adnet foi o escolhido para narrar o RockGol 2011. Foto: Simone Marinho
Marina Cohen
JÉSSICA LOPES: Como era o Adnet criança e adolescente?
ADNET: Com 7 anos eu adorava política, fazia desenhos do Covas, Collor e Lula. Em 1989, fui com meus pais a comícios do Covas e do Lula! Não perdia um horário eleitoral. Na adolescência me retraí, tinha muita espinha. Mas me soltei um pouco com 17 anos.

Marcelo Adnet apresenta o RockGol 2011, ao lado do comentarista Eduardo Elias e o convidado Rafael Queiroga. Foto: Simone Marinho
LAURA TARDIN: O que ainda não fez, mas quer muito fazer?
ADNET: Suruba ( risos). Agora, falando sério: ter filhos, conhecer o mundo e fazer política. Só não sei bem como. Talvez me candidate a algum cargo político um dia. Não faria isso para tirar proveito pessoal, claro. Gostaria de contestar muitas coisas, mas não sei se estaria bancando o otário, do tipo “fui ameaçado de morte no segundo dia”.
GABRIEL GORINI: Como foi se tornar um mestre do humor tão rápido?
MARCELO ADNET: Não foi tão rápido. Fiz faculdade de jornalismo e, com 21 anos, subi pela primeira vez num palco. A história é a seguinte: eu fazia estágio e ganhava R$ 200 por mês. Depois de muitos meses, ganhei um aumento… de 10%! Aí pedi demissão no dia seguinte e resolvi tentar o teatro. Mas, só depois de seis anos me dedicando, eu e a MTV nos encontramos, e consegui uma estabilidade.
JÉSSICA LOPES: Você está feliz com o sucesso?
ADNET: Tem um lado ótimo, que é achar algo que te faz feliz e que te sustenta. Mas é uma responsabilidade grande. Preciso manter a cabeça no lugar.
ROBERTA THOMAZ: Algumas piadas acabam sendo vistas como preconceito. Como você lida com isso?
ADNET: O comediante tem uma arma fundamental, que é o bom-senso. Só faço o que acho razoável. Tento também conhecer meu país, para saber o que é aceitável. Aqui, imitar uma bichona sempre foi considerado engraçado. Mas, se eu fizesse isso na Arábia Saudita, seria um crime.
LAURA: Você já se negou a fazer uma piada?
ADNET: Sim, foi importante para mim aprender esse limite, porque não dá para jogar a culpa em quem escreveu o texto, tipo: “Ah, eu só interpretei o papel que me deram”. Por mais que você não concorde, se fizer, está sendo conivente.

Os membros do Conselho Jovem entrevistam o comediante Marcelo Adnet. Foto: Simone Marinho
JÉSSICA MENDONÇA: Depois que você ficou famoso, teve que se privar de algo?
ADNET: Tem coisas que é melhor não fazer, como ir a um shopping no sábado ou aos jogos do Botafogo. Quando vou ao estádio, tem que ser no camarote, senão não consigo assistir. É o pênalti rolando e o cara querendo que tirar foto comigo! Antigamente, eu podia tomar um porre e sair por aí. Agora não dá mais, porque todo mundo põe no Twitter. Às vezes acompanho minha vida lendo o que as pessoas estão dizendo no Twitter.
JÉSSICA LOPES: Qual sua relação com o futebol?
ADNET: Frequento estádios desde pequeno. Também gosto de jogar. Aqui, narrando o “RockGol”, fico com a maior vontade de entrar em campo. Curto muito ver futebol brasileiro. Pode ser Guarani e Ponte Preta que vejo amarradão.
O GLOBO: Helio de La Peña, Felipe Neto, Ronald Rios e você são humoristas e botafoguenses. Existe uma relação?
ADNET: Acho que sim ( risos). Para ser botafoguense tem que resistir muito, desde as zoações na escola até no trabalho. E você ainda perde com uma grande frequência. Ou seja, o torcedor do Botafogo aprende a rir da própria desgraça.
GABRIEL: Como é ser casado com uma humorista, a Dani Calabresa?
ADNET: A gente ri muito no dia a dia. Quando estamos juntos, fazemos comentários bobos o tempo todo. Às vezes, temos ideias ótimas para piadas, que acabam indo para a TV.
VINÍCIUS BARROZO: Quando o humor precisa ficar de fora da sua vida?
ADNET: Como ser engraçado é obrigação, o humorista busca seriedade fora do trabalho. Às vezes tiro folga e fico de cara amarrada. São momentos de reflexão importantes.
Fonte: Revista Megazine, O Globo
Colaboração: Andressa Gontijo, Carol Procópio
Entrevista com humorista vai ao ar no Programa Amaury Jr. desta sexta (15/04).

Adnet também falou sobre seu casamento com a humorista e apresentadora Dani Calabresa, sobre seu lado tiete – ele confessou que já agarrou o presidente do Botafogo, seu time do coração – e ainda fez imitações de Cid Moreira, Silvio Santos e até do próprio Amaury Jr.
A entrevista com o humorista vai ao ar nesta sexta-feira (15), no Programa Amaury Jr., a partir da 0h, na Rede TV!.
Fonte: Entretenimento R7
O comediante e VJ da MTV faz balanço de sua carreira e revela o que vem pela frente em sua vida pessoal e profissional

Marcelo Adnet grava seu novo programa, agora ao vivo
Renata Reif
Ele descobriu seu talento humorístico e artístico quando cursava Jornalismo e um amigo o convidou para integrar o elenco da peça Z.É. – Zenas Emprovisadas. Ao subir no palco pela primeira vez há 9 anos, se sentiu muito melhor do que como jornalista. “Eu nunca fiz um curso no teatro, um book com fotos, a coisa foi acontecendo”, explica Marcelo Adnet.
Atualmente suas frentes de trabalho são múltiplas, mas sua meta uma só: ser feliz. “Eu quero fazer TV, teatro, cinema, jornal, sou feliz em todos esses meios. Ter o que informar, esse é o meu principal objetivo”. Após a gravação de seu novo programa, “Adnet Ao Vivo”, na MTV, o carioca de 29 anos recebeu o iG Gente em seu camarim para uma conversa sobre seu momento atual.
“Estar ao vivo me deixa nervoso. E poucas coisas me deixam nervoso hoje em dia”, admite ele, que vive na capital paulista com a mulher e também colega de trabalho, Dani Giusti. Ou Dani Calabresa, como é conhecida. Sobre a relação dos dois: “É bem mais normal do que se possa imaginar, mas a gente ri muito um com o outro, sim.”
A atração dura 45 minutos e aborda temas da atualidade. Simples e descontraído, o formato permite que ele se solte: canta, dança, não para quieto. “O meu exercício é ser humano e ser humano é errar, é não usar maquiagem, é se vestir de uma maneira mundana e cotidiana, como quem vai na esquina pagar um conta. E falar as coisas de uma maneira popular”, diz. E continua: “Quem faz TV tem uma sensação de estar acima do público: ‘sou maravilhoso, lindo, estou na TV’. E na realidade não é isso, fiz o exercício de descer e dizer: ‘sou igual a vocês’”.

Marcelo Adnet: Podem falar que eu sou feio, faz parte da democracia
Marcelo conta que pretende dar mais prioridade aos assuntos pessoais. “Quero recuperar o tempo livre para colocar a saúde pelo menos junto com o trabalho, amigos e daqui a pouco para a família. Fazer um filho, claro! Ser pai, isso eu tenho que fazer”, revela ele, que adora jogar “altinha” na praia, pôquer com os amigos e entrar no Youtube para descobrir culturas novas. Sobre bom e mau humor: “basicamente o que me irrita são as neuroses urbanas e o que me deixa feliz é o contato com a natureza”, afirma. Em sua carreira, ele quer ir longe, literalmente. “Eu tenho este desejo de ultrapassar as fronteiras e representar o Brasil para o mundo, não como um jogador de futebol ou uma gostosa”.

Zero ego, zero vaidade é difícil, todo mundo tem um pouco, diz Marcelo Adnet em entrevista ao iG Gente
Confira os melhores momentos da entrevista com o comediante:
iG Gente: Como foi a sua trajetória até aqui?
Marcelo Adnet: Eu não sabia o que fazer de faculdade e finalmente eu decidi pela Comunicação que é um curso ótimo para quem não sabe o que fazer. E nesse curso foi onde eu aprendi a dizer sim para muitas coisas. Vamos matar aula e ir para praia? Vamos! A galera da faculdade vai viajar pra não sei aonde, vamos? Vamos! Tem um trabalho de religião que a gente tem que ir num culto de igreja evangélica. Fui também. Vai ter semi-final do campeonato estadual entre Cabofriense e Madureira, vamos! Fui fazer uma peça de teatro improvisada e aí, quando eu subi no palco com o “Z.É. Zenas Emprovisadas” há quase 9 anos, eu me senti me expressando muito mais do que eu poderia como jornalista. Eu me sentia um pouco preso como jornalista, ao fato, ao lide, ao quem, o que, por quê, quando, e eu não me senti com aquela oportunidade de dar o calor à matéria, a minha opinião. De certa forma como eu faço no “Adnet Ao Vivo” hoje.
Como você define a pauta do programa “Adnet ao Vivo”?
Eu tento me impor uma rotina. Pelo menos uma vez por dia eu entro no Twitter e também entro nos sites de notícias, tanto os brasileiros quanto os internacionais, que trazem uma visão diferente. Por exemplo, a guerra na Líbia. Os sites brasileiros dão noticias de mortos e o NY Times não, porque é assunto deles e eles não cobrem. Aqui no Brasil eles falam sobre isso abertamente, mas sobre outros assuntos não. Então eu tenho durante a semana, a partir de agora já uma rotina de procurar o que está sendo pelo menos para mim relevante.
Por exemplo?
Como foi a declaração do Bolsonaro no “CQC” que eu vi ao vivo, a morte do José Alencar, os 200 anos do Robert Bunsen hoje. Então tudo que é notícia e não precisa ser só brasileira, a gente acompanha durante a semana inteira e vai juntando durante a semana aquilo que a gente acha interessante. Na própria quinta-feira eu chego mais cedo, fico na ilha de edição, eu vejo as cenas sendo montadas e a gente tem algumas ideias juntos. Foi a ideia do Bial eliminando o Bolsonaro e fazendo um discurso para o Kadafi. Então a gente montou aquilo lá rapidinho, antes de vir para cá.
E como funciona a interação com o público?
É isso, além dessa coisa que a gente pensa na pauta, a gente tem a possibilidade de navegar ao vivo, portanto trazer assuntos ao vivo. E não necessariamente são assuntos que a gente preparou, pode ter como assunto também aquilo que surgiu ao vivo, alguém que tuitou alguma coisa engraçada, bizarra, inusitada, uma notícia que aconteceu realmente ao vivo, como foi a contratação do Luis Fabiano no primeiro programa. Eu entrei e ele tuitou: ‘aí galera, agora é oficial, estou no São Paulo!’ Então são duas coisas, uma de acompanhar as notícias da semana e estar aberto para navegar em qualquer assunto que surgir.
Como surgiram os convites no cinema e na televisão?
A primeira vez que subi no palco para fazer Z.É. – Zenas Emprovisadas lá em Humaitá, que é o bairro onde eu moro no Rio, eu tive certeza de que aquilo era a minha praia, as artes cênicas. Depois do Zenas, surgiram algumas oportunidades, fiz uma peça infantil, fiz uma peça dramática, fiz algumas publicidades e dez longas no cinema. A maioria papéis pequenininhos, mas alguns de destaque. Essa estreia lá atrás me abriu um mundo de possibilidades. Eu nunca fiz um curso no teatro, um book com fotos, a coisa foi acontecendo.

Marcelo Adnet no camarim da MTV, após gravar seu programa: Quem faz TV tem uma sensação de estar acima do público: 'sou maravilhoso, lindo, estou na TV.
De que maneira?
Um dia eu vim aqui na MTV divulgar um filme “Podecrer”, eu vim no programa Rock Gol, na época do Marco Bianchi e do Paulo Bonfá. E eu adorei, adoro os dois até hoje, mas no dia que eu vim foi muito divertido. Falei sobre futebol, comédia, sobre o filme. O pessoal da MTV viu, achou interessante e me chamou para um teste. Eu vim para São Paulo fazer o teste e na conversa com um dos nossos gerentes na época, entrei na MTV junto com a Lílian Amarante que está aqui até hoje.
O que você realizou na MTV?
A gente criou o “15 Minutos” juntos, que era um programa que aceitava o erro, que aceitava esse lado humano de errar, de bermuda, descalço, em casa. Isso foi muito importante naquela época. Fez diferença há quatro anos por ser tão informal, o programa teve destaque. Depois veio o “Furfle”, depois o “Comédia” que está até hoje. Foi tudo uma evolução desde aquele ponto. Eu fico muito feliz de poder ter um destaque na minha profissão. Sou comediante, mas eu consigo dentro comédia falar sobre coisas sérias também. Isso é um “prazerzasso” , que é aquela história do jornalista que dificilmente consegue colocar a sua opinião, mas a MTV, é especial por causa disso.
Você tem autonomia editorial?
É uma TV de muita liberdade, que confia em quem contrata. Eles não me impõem uma linha editorial, eu chego com a minha linha editorial. E por isso, mesmo com vários outros convites, de tevês abertas, eu preferi ficar na MTV por causa dessa liberdade. Por ser uma delícia mesmo falar o que eu quero da maneira que eu quero. Então, essa foi a trajetória e como cheguei até aqui. E gosto de ser multimídia, de fazer cinema, publicidade – hoje em dia pensando publicidade porque quando eu faço, eu crio – uma coluna no Jornal Globo sobre esporte, faço música também.
Você também é músico?
Toda semana no “Comédia” a gente faz uma música nova, que apesar de ser palhaçada, é uma música. Tem que fazer uma base, uma letra, tem que cantar depois a segunda voz por cima, em quatro horas. Então é um desafio também. Então criei vários desafios. Se um dia a coluna cair, eu faço musica e artes cênicas e jornalismo. Se um dia o jornalismo cair, eu faço comédia. Então eu adoro ter muitas coisas diferentes para fazer.
Você se considera ator, comediante, jornalista e músico. Do que gosta mais de fazer?
Acho que o que eu gosto de fazer mais é o que eu não estou fazendo. Acho que eu não faço um esporte há dois meses. O que eu mais gosto de fazer é variedades. Acho importante para a existência, sobrevivência, para a criatividade de cada hora para um lado, não ficar muito saturado. Dentre tantas coisas que eu faço, eu tento ficar humano ainda. Não virar um robozinho, me isolar da sociedade, não viver só em área VIP com pulseira, e sim ter uma vida normal. Quando vou ao Rio, faço questão de ir à praia com os meus amigos, jogo futebol, pôquer. Coisas que eu sempre gostei de fazer para ser uma pessoa normal e ter a visão e uma pessoa normal. E não de um cara de TV, de um maluco, de uma celebridade.

Marcelo Adnet: Estar ao vivo me deixa nervoso. Poucas coisas me deixam nervoso hoje em dia
Onde busca inspiração?
Eu tenho múltiplas inspirações. Como eu faço coisas muito diferentes, tenho inspirações muito diferentes. Quando eu era criança, meus ídolos eram políticos, o Lula e o Mario Covas. Aos 7 anos eu pedi para os meus para ir na passeata do Covas. Não tinha ninguém na passeata do Covas no Rio, porque lá ele nunca teve muitos seguidores. Mas eu falei com ele, ele me abraçou. Aos 7 anos falando com o Covas, olha que loucura! Tive referências de políticos, de atores como Peter Sellers, Chico Anísio, TV Pirata também foi muito importante.
Quem influencia o seu trabalho?
No rádio, o narrador José Carlos Araújo. Também o Flávio Cavalcanti. Meus pais me cotam que quando ele morreu fiquei na frente da TV horas seguidas. Então as minhas influências são múltiplas e o principal para mim hoje em dia é o popular, é o não-famoso. Todos os meus personagens são reais, isso tudo é inspiração minha, é tudo de verdade. Ninguém foi contratado, botou uma maquiagem. Não, é espontâneo. Então acho que o momento atual é que o povo é a celebridade. Por não precisar mais venerar uma celebridade: ah, o ator tal, a marca tal, o cigarro que ele fuma. Ficou no mesmo pano.
Como assim, o povo é a celebridade?
O artista é criticado abertamente, você abre o Twitter com o seu nome e você vai receber critica todo dia, pesadas ou não. Todo mundo pode ser estrela, então um moleque grava um vídeo engraçado, bombou no Youtube, então ele é inspiração para mim. É uma inspiração que vem do dia a dia, do cotidiano que se desprende do glamour. O povo é a estrela, é este o momento. O vlogger PC Siqueira que está na MTV agora. É um menino que fazia os vídeos de casa, ligava a câmera e falava qualquer coisa. Ele cresceu muito pelos próprios méritos, foi reconhecido e hoje está na MTV. Então é isso, a inspiração vem do povo.
Como é seu dia a dia?
É muito corrido! De quarta a sexta, trabalho 9 horas por dia. Quarta a gente grava o “Comédia”, quinta o “Adnet ao Vivo”. Tenho que, ao chegar em casa, escrever a coluna do jornal porque amanhã tenho que gravar a partir de 13h. Não tenho tempo para escrever durante a gravação. Na sexta tem a peça “Comédia ao Vivo” no Ranaissance à meia noite. Quarta, quinta e sexta é infernal, é puxado. Se o meu desafio antes era dizer sim, hoje é dizer não.
Carrega o fardo de ter que ser engraçado toda hora?
Toda essa crítica existe, essa pressão para ser engraçado. Mas acho que pressão todo mundo sente, é normal. O grande segredo é o quanto de ouvido você dá à pressão. Eu não dou muito ouvido para ela não. Se, mil pessoas me xingarem de babaca, eu vou ouvir. Se um falar, isso é uma coisa isolada. Eu acompanho as criticas e as pressões, mas como desde o começo eu lido com o erro, eu acho que eu erro. Alguém diz: ‘Ah nem foi tão engraçado’. Beleza, não foi mesmo, e daí? Semana que vem vai ser. Eu lido numa boa, não vejo a crítica como algo pessoal. Eu vejo que vários artistas dão ‘block’ no Twitter.
E você, bloqueia?
Nunca dei block em ninguém, porque se quiser falar que eu sou bonito, sou feio, mané, não tenho graça, tudo bem. É parte da democracia. Se eu quero criticar o cara que falou que ser negro e gay é promíscuo, eu não vou criticar o cara que falou que eu sou feio. Ele pode falar que eu sou feio, faz parte da democracia. Eu vejo as críticas como pesquisa. Existe uma separação entra a amostragem e o levar para o pessoal. Vestir a carapuça da pressão totalmente? Não, não vou levar isso para casa. Nasceu espontânea, muito natural e continua natural. Acredito nisso, no lado humano da coisa.
Você é uma das grandes audiências da casa. A que atribui tanto sucesso?
Acho que tem uma coisa de falar uma língua diferente. Quando eu entrei na MTV, a MTV tinha uma característica muito paulistana, que falavam com aquele sotacão. E quando eu entrei, era o cara carioca, mal vestido, e eu acho bom ser mal vestido! O sucesso que eu tive na televisão foi muito por conta de pegar o elevador e descer psicologicamente para falar ao nível do público. Quem faz TV tem uma sensação de estar acima do público: sou maravilhoso, lindo, estou na TV. E na realidade não é isso, fiz o exercício de descer e dizer: sou igual a vocês. Vou tentar fazer uma música improvisada, talvez dê certo, talvez não.
Como é isso na prática?
É uma questão de humanidade, sempre dou um exemplo de um jornal que acontecia ao vivo e o brinco da mulher caiu. E ela continuou a próxima notícia. Se isso acontecesse hoje em dia e se eu fosse uma mulher e caísse meu brinco, eu ia falar e atentar para o erro. Faz tudo parte de uma televisão que é utópica, meio idealizada. A única diferença entre eu e o público é que eu tenho uma câmera apontada para mim. Claro, tenho algumas responsabilidades e tenho que saber disso. Não posso agredir as pessoas, falar barbaridades, então o cuidado com o público é grande.
Qual é a sua linguagem com o público?
O meu exercício é ser humano e, ser humano, é errar, é não usar maquiagem, é se vestir de uma maneira mundana e cotidiana, como quem vai na esquina pagar um conta. E falar as coisas de uma maneira popular. Eu poderia falar sobre o Bolsanaro de uma maneira didática, mas eu prefiro falar de uma maneira absolutamente escrachada, dublando ele, fazendo um funk para ele. É uma coisa de popularização da linguagem. Fazer música para falar com as pessoas, falar diretamente com as pessoas, usar gírias, usar roupas, linguagem e atitude informais. Comecei dentro do meu quarto e todo mundo pode. Foi um formato que pegou e as pessoas começaram a gravar vídeos dos seus quartos.

"Quero representar o Brasil para o mundo. Não como um jogador de futebol ou uma gostosa", diz Marcel Adnet
Não tem vaidade alguma?
Zero ego, zero vaidade é difícil, todo mundo tem um pouco. Eu tenho um pouco, mas acho importante que isso não venha em primeiro lugar. Hoje em dia a gente tem várias categorias de artistas: os que se destacam por opinião, os que se destacam por habilidade e os que se destacam por beleza. Fica bonito no close às 8 horas da noite. Mas não é o meu caso.
Qual foi a maior gafe que te aconteceu na televisão?
Agora com o “Adnet ao Vivo”, vou pagar vários micos, várias gafes estão por vir ainda! Antes dava para cortar e agora não. Estar ao vivo me deixa nervoso. Poucas coisas me deixam nervoso hoje em dia. Gravar o “Comédia” não me deixa nervoso, escrever a minha coluna não me deixa nervoso, fazer stand-up não me deixa nervoso. Fico nervoso em fazer “Adnet ao Vivo”, também às vezes o “ZE – Zenas Improvisadas” me deixa nervoso, que é improviso. Entrar no palco sem saber nada e as pessoas pedirem ao vivo para fazer coisas que dá medo de não saber fazer. Estou por fora, ou me sinto muito mal. Uma grande gafe eu não me lembro, mas agora vou ter esta oportunidade no programa ao vivo!
O que tira o seu bom humor?
Várias coisas me dão mau humor. Dormir pouco me dá mau humor, gosto de dormir legal, oito horinhas, acho importante. Trânsito pesado me tira o humor. Eu morei um tempinho em Santo André quando cheguei a São Paulo. Eu vinha de Santo André para cá e quando eu chegava parecia que tinha trabalhado 15 horas. A minha impressão depois de lutar contra o trânsito inteiro, caminhões, vans, carros, moto, chegava destruído. Então trânsito, pouco tempo de sono, muitas coisas pode me irritar! Abuso, as pessoas excedem um pouco. Estar dormindo no avião e vem um cara te cutucar. Me irrita quem vai tirar foto e diz: eu não sei quem tu és não, mas me falaram que tu és artista. Também é chato. São neuroses urbanas.
E o que te deixa feliz?
O que me deixa de bom humor é a natureza que me relaxa. Fechar o olho na praia me deixa muito feliz, cair no mar. Quando eu posso sentar no sofá de casa e ver futebol na tevê, fico muito feliz. E quando estou com as pessoas que eu gosto no dia a dia. Estar dando uma entrevista é uma terapia. Quando você me fala o que te irrita e o que te faz bem, eu estou fazendo uma análise aqui e agora. Eu gosto de gente, de falar, não só por falar, mas construir idéias. A retórica me interessa. Basicamente: o que me irrita são as neuroses urbanas e o que me deixa feliz é o contato com a natureza.
Como é na sua casa, com a sua mulher, Dani Giusti?
É bem mais normal do que se possa imaginar, mas a gente ri muito um com o outro. A gente gosta de ver TV junto. A gente estava vendo “CQC” junto. Na hora do (Jair) Bolsonaro a gente se olhou de boca aberta! A gente vê “CQC”, vê o “Pânico”, MTV, ri dos nossos amigos. Adoro ver com a Dani o Bento (Ribeiro), tudo o que o Bento faz. Ele cai e a gente sabe que é de verdade, sabe que ele é real, que realmente caiu. A gente adora ver coisa boa na televisão falar: caramba, que bom! E ver coisa ruim e falar que é horrível. As coisas vão lado a lado, é uma troca de experiências. Ela diz para mim o que ela acha e ela é muito intensa também. Então rola um debate do dia a dia ao vivo um com o outro: live blogging.
Você está adaptado à São Paulo?
São Paulo é um esquema: acordo, carro, carro, trabalho, carro, casa. Essa coisa do jardim, da árvore, do mar me interessa muito. É um privilégio poder estar na ponte-aérea Rio–São Paulo. O Rio é minha casa, eu vejo um Brasil mais antigo, uma cidade com mais verde, pessoas mais tranqüilas, sem camisa.Tem essa coisa maravilhosa natural, um clima muito gostoso. Já São Paulo tem uma urgência para trabalhar e fazer negócios. Essa é outra dimensão. Acho desequilibrado o crescimento, é um absurdo ter uma região metropolitana com 20 milhões de pessoas. É impossível ser feliz com 20 milhões de pessoas, é um desafio.
E o Rio?
É um grande esforço buscar qualidade de vida em São Paulo. Eu acordo cedo com o barulho, não estou acostumado. É engraçado ver como o Rio é provinciano e pequeno, só São Paulo dá esta dimensão. E ao mesmo tempo São Paulo recebe todo mundo: tem gaúcho, tem mineiro, carioca, japonês, coreano, sul-americano, africano. Então não vejo como melhor nem pior, vejo o Rio como uma cidade deliciosa minha casa, folga e alegria, calor sem camisa, amigos e relaxamento. E São Paulo como foco, trabalho, correria e excitação que também fazem parte de mim.
É amigo dos outros comediantes?
Eu conheço uma galera que faz stand-up. Quando cheguei na MTV, a Dani me convidou para vê-la com o Fábio Rabin. Aí eu fui e eles me chamaram de surpresa no palco, foi um barato. Desde então, sempre fiz com eles. Existe uma competição velada, como com os galãs de novela, âncoras de jornal, repórteres e fotógrafos, existe sempre uma rixa. Mas se eu largar o stand-up, eu tenho dois programas de televisão, uma coluna, acabei um filme agora e já vou fazer outro. Então não estou muito fechado a um ambiente.

Adnet grava com Charles Henrique, o homem enciclopédia do Pânico
Rola uma competição entre os comediantes de stand-up?
Onde quer chegar?
Quero continuar trabalhando. O que me dá satisfação hoje em dia é saber que tem malucos para me ouvir. Tem pessoas que levam em conta o que eu faço. Mais do que ser a favor de uma teoria política, eu sou a favor da informação. Acho que todo mundo deve se informar. O que eu acho do (Jair) Bolsonaro? Particularmente acho que ele mandou muito mal, eu nunca diria aquilo, acho um absurdo o que ele falou. Mas também não me acho com essa moral toda para julgar e dizer que ele é menor, pior. Mas acho importante que todo mundo saiba o que ele falou.
Qual seu principal objetivo profissional no futuro?
Um exemplo: Ah, o terremoto do Japão foi causado por um projeto do governo americano ou não? Eu não sei, não entendo nada de transmissão de ondas de rádio e suas reflexões na ionosfera, mas eu quero saber dessa história. Porque daqui a pouco os Estados Unidos se indispuserem com um país e tem um terremoto lá com o céu colorido já vou saber. Então, no fim das contas, eu curto a ideia de que no futuro, eu ainda esteja jogando conteúdo para as pessoas e vice-versa. Acho que eu influencio as pessoas e elas me influenciam. Essa mão dupla eu pretendo manter. Aonde isso vai, eu não sei. Mas já que me sinto feliz fazendo TV, teatro, cinema, jornal, sou feliz em todos esses meios, quero continuar tendo assunto para falar com elas. Ainda tenho o que informar. Esse é o meu principal objetivo.
E as prioridades na vida pessoal?
Além disso, do lado profissional, quero recuperar o tempo livre para colocar a saúde pelo menos junto com o trabalho, amigos e daqui a pouco para a família. Fazer um filho, claro! Ser pai, isso eu tenho que fazer. Quero um foco na carreira, mas também na vida pessoal. A Dani e eu temos muita vontade de filhos, mas também sabemos que é um momento nosso importante. Ano passado fomos pela primeira vez para a Europa: França, Itália, Croácia, Bósnia. Eu nunca tinha ido à Disney e ela me levou. Eu nuca tinha saído do Brasil, fui à Nova York uma única vez. Agora a gente está descobrindo o mundo. Fomos para Aruba e Curaçao, nas Antilhas Holandesas. Tenho um desejo de fazer um trabalho mais universal, o Brasil é imenso, cheio de oportunidades, mas o mundo é mais ainda.
Qual o seu plano?
Eu falo inglês, falo espanhol, falo a língua do Caribe, então tenho este desejo de ultrapassar as fronteiras e representar o Brasil para o mundo, não como um jogador de futebol ou uma gostosa, e estar representando o Brasil. Também é um desejo.
Tem alguma faceta que as pessoas desconhecem em você?
Uma faceta que as pessoas não conhecem é que eu sou um cara sério na maioria das vezes. Eu levo os assuntos a sério e faço piada exatamente para criticar. Um exemplo: passou no Amaury Junior eu falando sobre a profissão celebridade, que é aquele que tem uma permuta, um clareamento, que sai na “Caras” segurando uma cafeteira. Isso é uma coisa, ser sério e ter a crítica por trás da graça. As pessoas talvez não saibam, mas eu gosto de dormir muito tarde e acordar muito tarde. Se eu não tivesse compromissos acho que dormiria todos os dias às 4h da manhã e acordaria meio dia e meia. Adoro jogar “altinha” na praia que é um esporte carioca, que a bola não pode cair, jogar pôquer com os meus amigos e adoro entrar no Youtube e descobrir culturas novas.

Marcelo Adnet: Estar ao vivo me deixa nervoso. Poucas coisas me deixam nervoso hoje em dia
Como é isso?
Quando joguei no Youtube o nome da minha peça, Zenas (ZE – Zenas Improvisadas), veio um clipe. Zena em servo-croata é mulher. Ai eu vi o clipe que parecia russo, língua que eu falava, compreendi algumas coisas, mas vi que tinha alguma coisa de árabe, meio deprimente e não era russo. Descobri que era um clipe bósnio e a partir daí virei um especialista em Bósnia e Herzegovina.
Tem alguma história interessante?
Quando fui para Croácia, descobri um bósnio no restaurante e a gente ficou cantando horas! A mesma coisa aconteceu com o Caribe quando fui para Aruba. Fiquei apaixonado pela língua deles, e hoje em dia sei tudo sobre Aruba e Curaçao. Tenho todas as rádios de Curaçao no meu i-Pad! Quando chegar em casa vou descobrir sobre o Catar. Vou ficar horas navegando e descobrindo coisas novas no mundo. Um cara no Cazaquistão cantava ‘bate forte o tambor, eu quero tic tic tic tic tac’ e as pessoas comentando em russo que o cara é um fenômeno. Então bate um pouco com aquele discurso de que tenho vontade de falar com o mundo.
Novidades?
Eu acabei de fazer o filme do “Agamenon”, o jornalista carioca do Jornal Globo, eu fiz ele jovem. Foram 9 diárias, mais quatro de preparação, ao todo 13 dias com 12 horas de trabalho. Foi muito difícil filmar no Rio, acordar às 4h30 da manhã, chegando em casa 7 da noite. Farei outro com o José Wilker. Quando ele me ligou, achei que fosse um amigo zoando, mas era ele mesmo. É uma participação pequena no filme “Giovanni Improta”, mas eu não li o roteiro ainda.

Mais uma imagem de bastidor com Adnet e Charles Henrique
Marcelo Adnet é um dos principais nomes da nova safra de humoristas e, por isso mesmo, está no alvo de duas emissoras grandes de televisão. Atualmente, comanda o “Comédia MTV” no canal jovem, faz show no Rio de Janeiro e um stand up em São Paulo. Nesta quinta-feira, Marcelo Adnet participou do Jornal de Serviço. Além de conversar com o amigo Arthur Joly, falou sobre seus projetos e carreira.
PARA OUVIR A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA CLIQUE AQUI
Fonte: JP Online





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