Para os artistas de stand-up comedy, o que vale mesmo são as boas sacadas e a capacidade de interagir com o público. Não é à toa que o gênero faz o maior sucesso
Publicado em 19/12/2009 | João Rodrigo Maroni com colaboração de Suelen Trevisan
O jeito de fazer humor no Brasil está mudando. Seja na tevê, na internet, nos teatros ou mesmo em bares e casas noturnas, quem faz a moçada rir de verdade hoje em dia é uma trupe que dispensa perucas, maquiagem e as velhas piadas de papagaio.
Em pé no palco, sozinhos diante do microfone e da plateia, essa nova leva de comediantes – de cara limpa – decidiu reciclar um estilo de humor surgido há décadas nos EUA e até então pouco difundido por aqui: o stand-up comedy (ou “comédia em pé”, numa tradução literal).
Fazendo piadas sobre fatos do cotidiano, com base em textos próprios – mas também com espaço para improvisações –, esses humoristas conseguem estabelecer uma relação direta com o público, que se identifica com as situações engraçadas e corriqueiras narradas no palco. Por isso mesmo, o stand-up não para de crescer no país, tanto em audiência quanto em número de comediantes.
Um bom exemplo disso é o sucesso de programas como o CQC (Band) ou o 15 Minutos (MTV), cuja graça está justamente no bom jogo de cintura de seus repórteres e apresentadores, a maioria oriunda do stand-up. Até atrações populares, como o Domingão do Faustão (Globo/RPC-TV), abriram espaço para os novos talentos.
“O humor hoje está numa fase de transição. Tento fazer graça com coisas que normalmente não renderiam. O humor está em lugares que muitas vezes a gente não imagina”, analisa Marcelo Adnet, 28 anos, apresentador do 15 Minutos e comediante de stand-up. “É um formato novo e muito natural de comédia. A plateia se identifica com o que está sendo dito em cena”, observa Rafinha Bastos, 33, um dos “homens de preto” do CQC.
Curitiba
Juntamente com São Paulo e Rio, Curitiba tem hoje uma das cenas de stand-up mais badaladas do país – com diversos shows semanais fixos – e é um celeiro de novos talentos.
Mas nem sempre foi assim. “Não havia lugar para você trabalhar como humorista em Curitiba”, desabafa Diogo Portugal, 40, um dos responsáveis diretos pela mudança.
No início da década, ele ajudou a dar vida à cena stand-up da cidade com espetáculos como Portugal É Aqui e Cabaré Era Só o Que Faltava. Ambos serviram como uma espécie de ensaio para o Risorama, show criado em 2004 e que até hoje é uma das principais atrações do Festival de Curitiba, reunindo todos os anos a nata do stand-up brasileiro na capital paranaense.
Veja ainda:
Confira uma entrevista exclusiva com Diogo Portugal no Blog da Gazetinha.
Fonte: Gazeta do Povo





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