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O mais antigo livro de piadas conhecido é posto em teste e mostra que há pelo menos 1.600 anos a humanidade ri das mesmas coisas
Peter Luckhurst

AGRURAS ETERNAS Bowen, que apresenta as velhas blagues: a feiúra, a burrice e os fiascos sexuais não perdem nunca a graça
O veterano humorista inglês Jim Bowen vem provando na prática algo que sempre se imaginou – que desde que a humanidade existe ela ri das mesmas coisas. Em shows e em vídeos postados na internet, Bowen faz sucesso com a platéia contando tiradas de nada menos que 1 600 anos de idade. As blagues fazem parte do manuscrito Philogelos: the Laugh Addict (Philogelos: o Amante do Riso), cujo conteúdo, que remonta à Grécia do século IV, foi traduzido pelo pesquisador americano William Berg e colocado na internet como livro eletrônico (tanto o texto como os vídeos podem ser acessados, mediante pagamento, em www.yudu.com/oldest-jokebook).
Entre os chistes, inclui-se um ancestral de um esquete que há brevíssimas quatro décadas o Monty Python começou a encenar com hilaridade inesgotável – aquele em que um homem volta a uma loja para reclamar que o papagaio que comprou ali está morto. “Nãããããão, ele só está descansando”, replica o vendedor, fingindo não ver que o freguês está golpeando o balcão com o pássaro em pleno rigor mortis. (Na versão primordial, um sujeito se queixa a um mercador de lhe ter vendido um escravo com o pé na cova.) O sucesso da empreitada de Bowen pode ser atribuído ao fato de que certas agruras humanas são eternas – por exemplo, as mulheres desfavorecidas pela beleza, os fiascos sexuais e intestinais e a estupidez (os hoje obscuros abderitas eram considerados particularmente parvos).
O Philogelos é o mais antigo compêndio de piadas a ter sobrevivido – mas sabe-se que a arte é bem anterior. Segundo o ensaísta americano Jim Holt, já na Atenas do século IV a.C. havia um certo Grupo dos Sessenta que trocava galhofas no templo de Hércules. Em Roma, Melissus, um favorito do imperador Augusto, teria compilado 150 antologias de piadas. Todos esses gracejos tiveram como destino o esquecimento (e, como graceja Holt, a própria arte da piada foi provisoriamente esquecida na mal-humorada Idade Média). Por sorte, Philogelos e o Monty Python estão aí para provar que não existe piada velha – desde que seja boa.
ISSO É QUE É PIADA VELHA Monty Python e o papagaio morto: no século IV já se ludibriava o freguês
Fonte: Revista Veja




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